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PostHeaderIcon Setor de venda de carros reduz a marcha, mas não pisa no freio

Medidas para restrição de crédito do BC já afetam prazos e taxas de financiamento

Prazos menores, o fim dos financiamentos longos sem entrada e taxas de juros mais altas. As medidas adotadas pelo Banco Central (BC) para frear a venda de carros, uma espécie de banho de água fria para um setor que deve bater recorde este ano, já faz sentir os seus efeitos em Santa Catarina.

Os dois feirões promovidos no último fim de semana, em Florianópolis, são prova disso. Um registrou recorde de vendas no ano e o teve um saldo positivo. Mas os organizadores acreditam que o desempenho poderia ter sido ainda melhor sem as novas regras.

No Feirão de Fábrica da Volkswagen, os compradores tiveram a última oportunidade do ano para comprar veículos com as condições antigas de financiamento. Até domingo, o Feirão da Volkswagen vendeu carros em 60 vezes sem entrada com taxas de até 1,28% ao mês. A partir desta semana, a montadora ainda oferece financiamento, sem entrada, mas aumentou a taxa mensal para 1,80%.

O consumidor interessado na versão mais barata do Gol 1.0, por exemplo, pagava R$ 611 por mês em 60 vezes sem entrada. Agora, desembolsará R$ 693 com as mesmas condições. Fazendo as contas, isso resulta em R$ 82 a mais por mês — e R$ 4.920 no final do financiamento.

As novas medidas do governo afetarão prazos maiores, na análise de Michel Chidiac, responsável pelo feirão.

— Antes, havia se tornado comum no mercado financiamentos em 72 vezes e, no caso de algumas empresas, em até 82 vezes. Agora isso não existe mais.

Para Chidiac, a cautela do BC é interessante para o mercado, porque existia um risco maior de inadimplência em operações com financiamentos muito longos. O coordenador do Hiperfeirão da BV Financeira, Tiago Fattori, acredita que as novas regras terão um pequeno impacto nos negócios em janeiro e fevereiro.

— No médio prazo, o resultado será positivo, porque teremos um crédito mais sadio, sem tanto risco de inadimplência. A verdade é que o crédito, até agora, estava muito facilitado e isso não era bom.

A sexta edição do Hiperfeirão, este ano, na Capital, mobilizou 40 revendas entre sexta-feira e domingo no CentroSul. Ao contrário das outras edições de 2010, esta última exigia pagamento de uma entrada nos financiamentos até 36 vezes. Nem essa mudança não afetou o desempenho de vendas do feirão.

— Trabalhamos com uma média de 400 a 450 fichas de propostas para compras em cada evento. Desta vez, tivemos 594 propostas. Um recorde no ano.

O consumidor visita a feira, onde há oferta de veículos novos e usados, e negocia a compra. Após fazer a inscrição com uma proposta de financiamento, aguarda a aprovação de uma instituição bancária. Segundo Fattori, entre 50% e 60% das propostas costumam terminar em negócio. Os números deste último evento foram ainda melhores: 415 vendas consolidadas, sendo 60 delas à vista.

O mês de dezembro, com o pagamento do 13º salário e benefícios adicionais para muitos trabalhadores, como os programas de participação nos resultados de algumas empresas, favoreceu as negociações, segundo Fattori.

— Sentou à mesa quem realmente estava interessado em comprar — diz.

Fonte http://www.clicrbs.com.br - Alessandra Ogeda
 
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