Dois jornalistas ocidentais e 24 civis são mortos na cidade síria de Homs
Vinte e quatro civis sírios e dois jornalistas ocidentais morreram nesta quarta-feira (22) em um bombardeio da cidade rebelde de Homs, na Síria, onde o principal grupo opositor já não descarta a possibilidade de uma intervenção militar para colocar fim à repressão.
A comunidade internacional tenta instaurar uma trégua para enviar ajuda humanitária de emergência a Homs, apesar de Rússia, aliada do regime do presidente Bashar al Assad, ter reiterado sua oposição aos "corredores humanitários" propostos pela França.
Nesta quarta-feira, ao menos 24 civis sírios morreram em Baba Amr, um bairro de Homs, cidade do centro da Síria bombardeada pelo exército desde 4 de fevereiro.
Outros oito civis morreram na província de Idleb (noroeste), segundo o opositor Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH). Segundo a entidade, cerca de 7.600 pessoas, na maioria civis, morreram desde o início da revolta contra o regime há 11 meses.
Também morreram no bairro de Baba Amr dois jornalistas, a americana Mary Colvin, de 56 anos, que trabalhava para o jornal britânico Sunday Times, e o francês Rémi Ochlik, 28 anos, fotógrafo da agência IP3 Press, segundo as autoridades francesas.
Eles morreram durante um bombardeio ao bairro de Baba Amr, que atingiu um apartamento que funcionava como "centro de imprensa" para jornalistas clandestinos na cidade, informaram militantes sírios antirregime, no 19º dia de bombardeios incessantes em Homs pelas forças do regime.
"Três ou quatro outros jornalistas estrangeiros também ficaram feridos", declarou o militante Omar Chaker em Baba Amr, principal alvo das tropas do regime, contatado por Skype.
Os Estados Unidos afirmaram que a morte dos jornalistas demonstra a "brutalidade" do regime. Para o presidente francês Nicolas Sarkozy, a morte de dois jornalistas "mostra que já basta, o regime deve partir."
A Rússia também condenou o fato e afirmou estar "muito preocupada" com o ocorrido.
Mas as autoridades de Damasco declararam que "não estavam a par" da presença dos jornalistas, que entraram na Síria clandestinamente dadas as drásticas restrições impostas pelas autoridades à imprensa.
A situação humanitária é dramática e os pedidos de ajuda são cada vez mais urgentes.
O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICR) pede tréguas diárias de duas horas."Em Homs e em outras áreas afetadas, famílias inteiras estão presas em suas casas sem poder sair para comprar pão, outros alimentos e água ou procurar cuidados médicos", disse o presidente do CICR, Jakob Kellenberger.
A França também pediu à Síria um acesso seguro para socorrer as vítimas dos bombardeios em Homs, e convocou a embaixadora da Síria em Paris.
Até a Rússia, que não quer abandonar sua aliada síria, pronunciou-se à favor do pedido do CICR.
Homs, nomeada "capital da revolução", tornou-se símbolo da repressão das forças de segurança que procuram acabar com os rebeldes bombardeando desde o dia 4 de fevereiro os vários bairros da cidade.
O Exército Livre Sírio (ASL), que reúne militares dissidentes, também acolheram favoravelmente, mas o regime ainda não reagiu publicamente. Segundo os militantes, o ALS tenta assegurar comida e refúgio aos habitantes de Baba Amr.
Mas de acordo com um deles, Omar Chaker, a missão é complicada porque "as forças do regime atiram em tudo o que se move. Não temos eletricidade e nem combustível. A situação é pior do que se pode imaginar".
Segundo o militante Hadi Abdallah, 90 mil pessoas ainda estão em Baba Amr. "Nós temos estoques de comida nos imóveis, mas muitas pessoas foram mortas ao tentar buscar comida. É quase suicida. No hospital de campanha, existem três médicos e 20 enfermeiras e pouquíssimos equipamentos médicos".
A situação pode piorar. Um novo comboio de 56 tanques e veículos de transporte de tropas se dirigia para Homs, o que pode indicar um ataque final, informou o OSDH.
Human Rights Watch (HRW), por sua vez, afirmou que as forças governamentais utilizam morteiros russos de 240 mm contra Homs, uma "arma muito poderosa".
Diante da escalada da violência, o Conselho Nacional Sírio (CNS), principal instância de oposição, pediu que a comunidade internacional crie "áreas de proteção" e pede que a Rússia convença Damasco de autorizar a passagem de comboios humanitários.
Também foi pedido aos participantes da conferência internacional sobre a Síria, prevista para acontecer na sexta-feira em Tunis, "de não impedir os países (que querem) ajudar a oposição enviando conselheiros militares, treinando (os rebeldes), fornecendo armas para se defender" se o regime não parar com a violência contra os civis.
A revolta atingiu nos últimos dias, em uma menor medida, a cidade de Alep (norte) e a capital síria, onde as tropas foram enviadas para prevenir o avanço da contestação.
Fonte:g1.globo.com
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